Em outubro de 2004 enviei o texto abaixo para o ICP – Instituto Cristão de Pesquisas. Tolice. Desisti.
À REVISTA DEFESA DA FÉ,
A Graça do Senhor Jesus,
Estamos rodando o mundo procurando heresias na defesa da nossa fé cristã, e no entanto, segue sem qualquer oposição no meio evangélico o crescimento espantoso dos mais incríveis fetiches e supertições em torno de objetos da fé, em uso pelo mais descarada forma de neopentecostalismo!
Por favor! Note: É cruz abençoada, farinha comprada no mercado de Israel, sal grosso, arruda, mantos, sabonetes, tudo dentro do mesmo esquema de leilão de sacrifícios, onde pastores-lobos anulam o sacrifício de Cristo e afastam o povo de conhecer a Graça de Deus e as Boas Novas do Evangelho.
Afastam sim!! Ninguém pode negar isso! Não é porque se fala em Jesus Cristo que se garante autenticidade ou legitimidade às desavergonhadas campanhas caça-níqueis. Faixas anunciam sessões de "desencapetamento total com fechamento de corpo".
Isso não merece defesa apologética?
Será possível que não conseguimos olhar nem para o próprio umbigo? Só porque tais denominações se dizem "evangélicas", calamos?
Quem quer aprontar despudoradamente é só se auto-denominar evangélico?
Por que recuamos frente ao poder temporal dessa "igreja"???
E Deus por acaso tem algum compromisso em manter nossa instituições evangélicas quando ferem frontal e conscientemente sua justiça e Verdades Eternas?
Porque se diz que, "pelo menos as pessoas estão ouvindo de Jesus", relevamos? É que Jesus é esse? E o mesmo de Nazaré?
Vale tudo porque se fala de JESUS?
Ora, vocês tem provado que não! E têm denunciado aqueles que se dizem sem ser, porém... desde que a instituição julgada não seja auto-denominada evangélica.
É assim ou é minha impressão equivocada? Se estou errado, por favor, dou total liberdade a ser "combatido" por vossa perícia teológica.
Caso contrário, paremos de falar de indulgências católicas, porque é isso que se faz hoje. A diferença é que não se promete o paraíso, que não interessa a essa geração, mas se oferece a possibilidade de "aparecer" nessa sociedade competitiva e consumista.
Paremos de falar sobre Mamom. Ele está dentro da igreja, reinando soberano. Paremos de falar sobre supertições e esoterismo, porque ninguém vende mais bugigangas ungidas do que a igreja.
Para concorrer com a Universal, pastores tem aberto mão de pregar Cristo Crucificado pra entreter o povo e distraí-los com votos, ameaças e aquisição de relíquias.
Quem somos nós para falarmos do Catolicismo.
Estamos cegos??!!
Por muito menos do que se vê hoje, foi que Lutero pregou suas teses na porta da Catedral! Foi por muito menos que isso tudo que está aí que Paulo escreveu Gálatas e Colossenses. Por muito menos chamou os anuladores da Graça de "cães" e falsos apóstolos.
Sinto dor e peço misericórdia. Mas fico pensando: Se a ênfase de Paulo na apologia era atacar de frente tudo que relativizava o sacríficio de Jesus e sutilmente seduzia os cristãos; ora, então o que nos falta para nos colocar ao lado de Paulo? E se ele visse como as coisas estão hoje??? E o autor de Hebreus? Já teria enloquecido!
Até o vinho da ceia perdeu o sentido, para virar fetiche! E pior que a transubstanciação romana, oras!!!
Temo que tenhamos que continuar coando os mosquitos, porque não temos coragem de parar de engolir os camelos todo dia. Só porque os cultos na TV demonstram a força numérica, política, econômica e de identificação com o sincretismo religioso dessa nação católico-pagã?
Jesus não tinha barganha nenhuma a fazer com tal "força" em seu tempo! Que façam o próximo presidente, mas não há negócio a ser feito com a DEFESA DA FÉ!!!
Portanto, para fazer APOLOGIA tem que ter coragem!
E sei que vocês não estão nessa à toa. Sei que é chamado e vocação. Sei que é a pulsão apaixonada pelo Evangelho que vos leva a pesquisar e pesquisar. Mas, por favor, meus irmãos amados, pesquisem como os dois olhos abertos. Olhem para dentro também. Aceitem minha humilde sugestão! Não digam que isso está por conta de cada denominação evangélica. Essa ética é anti-ética! É anti-cristã! É debater sobre a violência no Iraque nos bares do morro da Rocinha! Essa conduta ética pode se aplicar às doutrinas periféricas e não à ameaças à CRUZ. Veja se vosso CREDO não está sendo questionado desses púlpitos. Será que nosso compromisso com a omissão é maior que o compromisso com a ética neo-testamentária???
Não há ninguém que possa falar, profeticamente denunciar???
De modo que ser evangélico hoje, é ser O QUÊ???
Alguém sabe enumerar 10 fatores de identificação relevante entre nós???
Cada um manda no seu feudo, constroí seu vaticanozinho e pronto. Só porque está escrito "evangélico" na placa, tem que ser respeitada como existência legítima na representação do Reino???
Vocês podem não concordar comigo (que aliás não sou ninguém), podem achar que estou exagerando, mas o tempo vai mostrar, infelizmente, que eu estou certo.
E enquanto nos defendemos dos TJs, dos Esotéricos, dos Extraterrestres, budistas, católicos, das matérias superficiais e ingênuas da revista Superinteressante, do filme MATRIX, e outras abobrinhas; Jesus Cristo tem sido crucificado de novo todo dia nos templos cada vez mais suntuosos dos evangélicos que ensinam o povo a barganhar com Deus para MERECER sua benção e OBRIGÁ-LO a nos dar as coisas que desejamos pra consumo imediato.
MEUS IRMÃOS, ME PERDOEM, NÃO QUERO MACHUCAR NINGUÉM NEM VOS ACUSAR DE NADA. VOCÊS PODIAM NEM ESTAR LENDO ESSAS LINHAS. MAS É QUE NESSE PAÍS (aparentemente) SEM PROFETAS, NÃO TEMOS A QUEM RECORRER.
SE JÁ ME LERAM ATÉ AQUI, POR FAVOR, REFLITAM A RESPEITO E COM OUSADIA.
E tudo o que penso, na Liberdade que tenho em Cristo
NA DEFESA DA MESMA FÉ,
MARCELO QUINTELA
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A resposta da PUBLICAÇÃO DEFESA DA FÉ
Subject: Re: QUAL FÉ DEFENDEMOS?
Caro irmão,
Bom dia!
Sua sugestão foi encaminhada ao departamento teológico para análise de possível publicação.
Peço que aguarde e que ore!
Gratos,
Bruna Benezatto
Assistente-Editorial
ICP - INSTITUTO CRISTÃO DE PESQUISAS
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Algum tempo depois, como eu já imaginava, o departamento teológico da revista me contatou para disser que não podiam ajudar em nada, ainda que concordassem com a análise feita. Argumentaram que o chamado da Revista está relacionado à defesa apologética de vem de “fora” da igreja. Com isso, reafirmaram que essa coisa toda é de dentro mesmo – o que aumenta o peso de condenação, posto não estarem cegos diante dos fatos. Afirmaram que a ética que acusei ser anti-ética, é a ética da Revista, enquanto for esse o chamado de Deus.
Outubro de 2004
Marcelo Quintela
Sem sucesso, então, o texto foi enviado para alguns sites e no www.caiofabio.com foi publicado sob o título POR UMA APOLOGIA BRASILEIRA, em “articulistas”.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
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